Se duas pessoas adultas e livres se amam, não me cabe a mim decidir se podem ou não casar-se. E vejo com muito maus olhos que alguém queira tomar essa decisão em nome delas, em meu nome, ou em nome do estado.
É sem dúvida mais fácil escrever aqui àcerca de guerras do que de amor. Fica menos ridículo falar de política do que falar de amor, mesmo quando não podemos falar de uma coisa sem amputar a outra.
O casamento destina-se a tornar reconhecida, de forma jurídica, uma realidade pessoal: quando amamos muito alguém, essa pessoa torna-se para nós tão ou mais importante do que os nossos pais ou irmãos. Quando amamos, podemos ou não casar. Se casarmos, essa pessoa passa a ocupar do ponto de vista legal, na linha de sucessão, ou em decisões essenciais, o papel importante que para nós já tem. Falar disto é falar de amor: quando duas pessoas se amam, e se consideram uma família, têm direito a casar-se.
Note-se que para mim este é um direito que as pessoas têm. Nós limitamo-nos a reconhecê-lo. Não podemos dar às pessoas os direitos que já são delas. Não me cabe a mim decidir que pessoa pode ou não pode o meu vizinho amar, e ofender-me-ia que ele se julgasse no direito de decidir por mim. Se duas pessoas adultas e livres se amam, não me cabe a mim decidir se podem ou não casar-se. E vejo com muito maus olhos que alguém queira tomar essa decisão em nome delas, em meu nome, ou em nome do estado.
***
O casamento é vedado a pessoas a quem não reconhecemos capacidade para tomar certas decisões importantes: por exemplo crianças, ou pessoas sem consciência autónoma. Quando certos estados norte-americanos não permitiam que uma pessoa de pele branca e outra de pele negra casassem — e foi há apenas duas gerações — estava por detrás dessa proibição a ideia de que os negros não eram pessoas com a consciência inteiramente formada. Aquele amor, portanto, não poderia nunca ser bem amor — e um branco que quisesse casar com um negro também não poderia estar bem da cabeça. A família que formassem nunca poderia ser uma família; era “outra coisa qualquer”. Pelo contrário, seria uma profanação das outras famílias só de brancos, essas sim famílias de primeira formadas por cidadãos de primeira, que não estavam “preparados” para o alarme social de ver negros casados com brancas, ou vice-versa.
É provável que ao ler isto — e decerto ao escrevê-lo — se sinta vergonha por ter havido quem defendeu tais ideias. Pois tais ideias são vergonhosas. Outras ideias vergonhosas: em tempos houve quem considerasse que um homem que ama outro homem, ou uma mulher outra mulher, padecia de uma doença mental e não poderia tomar decisões autónomas. E ainda há hoje quem considere que o casamento entre eles seria um ataque ao casamento “tradicional”. A sugestão é absurda. Ficariam os meus pais — casados há quarenta e seteoito anos — menos casados se dois homens ou duas mulheres se casarem civilmente? O absurdo destina-se a disfarçar a ideia que está por detrás dela: que os cidadãos adultos deixam de ter plenos direitos se por acaso amarem alguém do mesmo sexo.
Perguntam-me se eu sou a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Respondo que a pergunta está mal feita: não me passa sequer pela cabeça como poderia ser contra. Como poderia eu defender que um cidadão como eu não tem os mesmo direitos que eu? Que aquele amor não é amor? Que aquela família não é família? Que a liberdade deles não é liberdade, mas uma coisa amputada?
Rui Tavares, Público
sexta-feira, 17 de Outubro de 2008
Ha mais um reality show... Que deve ir parar a TVI e, para nao variar, e mesmo muito mau, por isso vai ter mesmo muita audiencia!
Desta vez, o objectivo e a construcao de uma sociedade em que elas mandam e eles obedecem - chamam-lhe experiencia de genero e isso da-me arrepios - porque e que as pessoas dizem estas coisas???
Mas o que era um programa sobre mulheres a mandarem nos homens ( ja nao acontece isso?! - brincadeirinha! ) passa a demonstrar a falta de capacidade das mulheres de conviverem / co-habitarem umas com as outras - o que de facto ja acontece na vida real!
Nao percam esta "experiencia de genero" ( PANICO ): "When women rule the World" que vai deitar por terra a ideia de que as mulheres sao mais pacificas e aversas a guerra!!!
Desta vez, o objectivo e a construcao de uma sociedade em que elas mandam e eles obedecem - chamam-lhe experiencia de genero e isso da-me arrepios - porque e que as pessoas dizem estas coisas???
Mas o que era um programa sobre mulheres a mandarem nos homens ( ja nao acontece isso?! - brincadeirinha! ) passa a demonstrar a falta de capacidade das mulheres de conviverem / co-habitarem umas com as outras - o que de facto ja acontece na vida real!
Nao percam esta "experiencia de genero" ( PANICO ): "When women rule the World" que vai deitar por terra a ideia de que as mulheres sao mais pacificas e aversas a guerra!!!
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